quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Alguns problemas colocados.

O princípio da contradição ou não-contradição é um princípio ‘sine qua non’ dos juízos sintéticos a priori. Kant, na Crítica da Razão Pura, define os juízos sintéticos a priori como: ‘não os que ocorrem de modo independente desta ou daquela experiência, mas absolutamente independente de toda a experiência.’ Mas não pretendo, em absoluto, falar de experiência. Kant vai além: ‘em primeiro lugar, portanto, se se encontra uma proposição pensada ao mesmo tempo com sua necessidade, então ela é um juízo a priori.’ Para os mais afoitos ou leigos, essa frase poderia passar despercebida. Primeiro, porque os filósofos têm o péssimo vício de inventar e reinventar termos e conceitos, colaborando de maneira exemplar para o surgimento das valências polissêmicas. É o caso da necessidade. Segundo, porque a filosofia se faz e se comporta, não raras as vezes, por uma tal obscuridade, por algo assim eivado de uma certa nebulosidade, pertencente só mesmo aos semideuses, que chegamos a ficar atônitos diante de certas idiossincrasias.Mas ó pequeno homem. “Mas ó micros antropos”. Temamos a tanatos e ao destino. Bem, necessidade é não-contradição. E o que vem a ser contradição? No livro “A filosofia a partir de seus problemas” temos: Uma contradição se produz quando afirmo e nego a mesma coisa, ou seja, digo:“A é não A” (ou, por exemplo: “Chove e não chove”). O princípio da contradição é um princípio da lógica clássica que diz: nada pode ser e não ser ao mesmo tempo e sob a mesma relação (ou: um juízo não pode ser verdadeiro e falso). Algo é possível quando não implica contradição. Algo é impossível quando implica contradição. Algo é necessário quando sua negação é impossível ou implica contradição. E encontramos ainda: “A lógica não faz outra coisa que explicitar a legalidade da Razão; e continua: “os princípios lógicos não são outros que os princípios da Razão pura, sendo o de contradição um dos fundamentais”. Desenvolve-se o raciocínio de tal forma, que chegamos até a acreditar que estamos diante de algo inabalável. Vejamos mais um pouco: “portanto, apoiando-me exclusivamente na razão pura posso fundar o conhecimento necessário do ponto de vista lógico-formal e, em conseqüência, produzir um certo tipo de saber a priori.” Andares e pilastras vão se construindo de tal modo, que nem aludimos a um possível desmoronamento: “se a ciência físico-matemática tem êxito, isto só pode acontecer porque, de algum modo, ela é capaz de um conhecimento necessário que não se baseia na Razão pura”. Retornemos agora à Crítica da Razão Pura, onde Kant é categórico ao afirmar: “ora, é fácil mostrar que no conhecimento humano realmente há tais juízos necessários e em sentido estrito universais por conseguinte puros a priori. Caso se queira um exemplo das ciências, basta olhar ‘todas’as proposições matemáticas; caso se queira um do uso mais comum do entendimento, poderá servir a proposição de que toda mudança tem que ter uma causa...” Para nós basta a seguinte frase: “todas as proposições matemáticas”.Sendo assim e não de outro modo, ou seja, que os juízos sintéticos a priori são juízos necessários e universais; assim, Kant afirma a validade da ciência e por conseguinte de seus dois mais ferrenhos baluartes a matemática e a física. Mas como se fosse um daqueles aviões de 11 de setembro, ou como se fosse ainda uma terceira revolução copernicana; um Copérnico mudando a rota da filosofia e da matemática; ou da filosofia e da lógica. Ou uma e outra. Ou outra, mas não uma. Ou mais: uma, outra e uma; eu arrosto todos aqueles que crêem em tal irrefutabilidade; ou dizendo melhor de outra maneira: que a matemática é necessária. A não ser que houvesse por parte daqueles que propugnam tais assertivas uma contrição imediata. Mas Kant está morto e Königsberg vive ainda tranqüila. Portanto sonegado o indulto. Se fosse de outra maneira e não essa, daria por acabado e jamais explicitaria o raciocínio que agora empreenderei: Sem lhes demonstrar tal como se deu a fórmula que se segue, afirmo que: A x B = C e sua não-contradição se e somente se C : B = A
Para isso, no entanto, valho-me de algumas exemplificações que numa quantidade razoável pretendem esgotar o assunto. Tomemos primeiro, então, o exemplo da validade ou não-contradição, ou como também passo agora a denominar como um tal tipo de paradoxo; mas fiquemos por enquanto com o que se segue: Se tenho: A x B = C e sendo verdade C : B = A . Então poderei aplicar os seguintes raciocínios:
Para: A = 1
B = 2 C = ?
Aplicando as fórmulas :
1 x 2 = 2
sendo verdade e não-contradição
2 : 2 = 1
Para:
A = 4
B = 5
C= ?
Aplicando as fórmulas:
4 x 5 = 20
sendo verdade e não contradição :
20 : 5 = 4
A fim de lhes evitar um certo cansaço e uma incomensurável lista de demonstrações com tais números,- pois creio que não necessitaríamos, pois despenderíamos o nosso sagrado tempo, bem como as páginas que aqui se apresentam, elucubrando sobre uma infinidade de cálculos, que mais se assemelhariam a um Puzzle, onde sempre encontramos uma saída, depois de extenuadas e cansativas tentativas - essa sumarização. Evidente que posso ainda se houver um outro tipo de dúvida demonstrar mais um ou dois raciocínios, mas antes peço-lhes que pratiquem até a sua exaustão e verão que ficarão extenuados e a não-contradição não se dará. Nesse sentido, perguntar-se-á: mas onde erra Kant nisso tudo? Pelo que se determina e embasado sobre esses raciocínios, Kant mantém-se mais ereto do que as duas torres gêmeas, antes mesmo daquele dia fatídico, e repousa solerte e tranqüilo sobre a sua Crítica da Razão Pura. E a matemática por seu turno dorme ainda um sono tranqüilo e abrasador, mostrando e demonstrando as suas verdades aos perscrutadores da Razão pura. Kant, efetivamente, denota uma segurança extremada ao afirmar: “a matemática dá-nos um esplêndido exemplo de quão longe conseguimos chegar no conhecimento a priori independentemente da experiência.” Mas deixa, como se fosse um ato falho, ou , como se fosse um tipo de premonição, escapar sobre a matemática: “o estímulo para ampliar seus conhecimentos é tão grande que só pode ser detido em seu progresso por uma clara contradição em seu caminho”. Antes de tudo, temos que ter bem claro que quando falamos de matemática, falamos no “conjunto das ciências que têm por objeto o número, a quantidade, a extensão e a ordem”. Poderíamos , desse modo, considerar o zero, como um representante de uma dessas quatro categorias? Se, ao menos, uma dessas categorias satisfaz as mínimas condições para se operar uma construção matemática, estamos, então, em condições, sem correr o risco da precipitação, de afirmar que há contradição nas chamadas operações matemáticas e por conseguinte nos juízos sintéticos a priori. Mas não nos precipitemos! Como diz Kant: “a leve pomba, enquanto no livre vôo fende o ar do qual sente a resistência, poderia imaginar-se que seria ainda muito melhor sucedida no espaço sem ar.” E Kant é benévolo, fornecendo-nos esse colchão macio ou esse céu de brigadeiro da Crítica da Razão Pura. Mas isso não nos força a sermos indulgentes com Kant. Não se esqueçam que Kant era um homem. E por isso com suas falhas. Cournot define assim a matemática: “sob o nome coletivo Matemática, designa-se um sistema de conhecimentos científicos, estreitamente ligados uns aos outros, fundados em noções que se encontram em todos os espíritos, todavia sobre verdades rigorosas que a razão é capaz de descobrir sem o socorro da experiência, e que, não obstante, podem sempre confirmar-se pela experiência, nos limites de aproximação que a experiência comporta”. Seria o caso de se perguntar: Qual seria o resultado de duas pêras somadas a duas pêras? E como se daria isso como experiência num mundo de não-pêras? Mas retornemos a Kant outra vez: “antes de tudo precisa-se observar que proposições matemáticas em sentido próprio são ‘sempre’ juízos a priori e não empíricos porque trazem consigo necessidade.” Quando Kant faz a sua crítica ostensiva à Metafísica, não se pode negar, que a faz de modo a ter na Matemática a sua escora, o seu esteio: “que até hoje a metafísica permaneceu numa situação tão vacilante entre incertezas e contradições, deve atribuir-se apenas à causa de não se ter antes deixado vir à mente esse problema e talvez mesmo a diferença entre juízos analíticos e juízos sintéticos.’ Kant, assim, lança mão de sua admoestação à metafísica, sustendo junto à cintura um farnel dadivoso de axiomas matemáticos. Mas esqueceu-se que as guerras são constituídas de inúmeras batalhas e logo no primeiro capítulo sucumbe, como um boxer inexperiente ao levar um ‘jab’ bem colocado. Kant esqueceu-se que quando a matemática fracassa no seu objeto, ela tende a uma certa metafísica, que só pode falar das coisas universais, ou se querem de outro modo, pretender falar. A matemática, nesse sentido estrito, como metafísica. Kant bem que poderia colocar abaixo os alicerces da matemática, relegando-a a uma metafísica menor. Todavia perdeu tal oportunidade. O que agora pretendo encetar é uma discussão sobre a possibilidade do zero como número; do zero como elemento, do zero como quantidade, do zero como extensão, do zero como ordem; do zero como um arcano. Vou colocar algumas perguntas, porque não pretendo exaurir as respostas. Quero antes perguntar. Perguntar de modo a colocar uma certa contradição entre o princípio da identidade; entre a matemática e a Crítica da Razão Pura de Kant; entre Kant e a lógica clássica, enfim: aporias. Se zero não é um tipo de número natural, por que se define como natural? Se zero não é número por que se comporta em certas situações como número? E outra: que espécie é o zero? Que tipo peculiar de número que responde e não responde? Que tipo de elemento esse, que é uma pedra no meio do caminho da matemática e por conseguinte dos juízos sintéticos a priori? Por que não poderíamos falar do zero como falamos do 1, 2, 3, 5,17,10001 etc? É evidente que já aponto para um certo tipo de contradição na matemática. É evidente também que alguém não sairá incólume. A filosofia já se cansou de respostas evasivas; quando há exceções, não se pode outorgar um ‘status quo’ de irrefutabilidade. Onde então se processa a revolução copernicana? Se a matemática não dá conta de um simples ‘conceito”zero? O que se fazer com o zero? Esta é a grande pergunta posta. Quando se afirma e se tem afirmado com uma contumácia extraordinária que 1 x 0 = 0; ou quando ainda se afirma que 2 x 0 = 0; onde buscar os matemáticos e os próprios leigos as suas fundamentações? Não podemos mais responder: é porque é! Assim fez e faz a metafísica que Kant erodiu. A matemática tem de responder e responder certo dentro dos princípios da identidade e da contradição; não podemos mais falar de Kant e da matemática como falamos sobre Tales de Mileto, Nietzsche, Cioran, Schopenhauer... Kant não disse que Deus está morto. Não disse sobre a água. Não disse sobre o ápeiron. Nesse sentido todos esses metafísicos podem falar.
Mas Kant e a matemática não. Kant colocou a matemática num ‘snooker’ de bico. A matemática tem que provar. As bases dos juízos sintéticos a priori esboroariam sem a matemática. Uma contradição e tudo a perder. Kant mesmo alertou. Restam os princípios da causalidade. Mas essa é outra conversa.
DO PRINCÍPIO DA IDENTIDADE
O princípio da identidade diz por exemplo: a = a ; se concordamos com isso, poderemos então a partir do princípio da identidade fazer algumas considerações: Se digo: 1=1 tenho um princípio de identidade; se digo 2 = 2 tenho outro princípio de identidade; posso seguir indefinidamente; mais um pouco: 3 = 3 ; 4 = 4; 0 = 0; 10=10...agora se digo que todo elemento dividido pela sua própria identidade resulta 1; ou esse princípio está correto ou incorre em erro crasso. Vamos tomar alguns exemplos particulares: A/A = 1 B/B = 1 5/5 = 1 6/6 =1
121/121 =1; percebe-se que trabalhamos com números e o que denomino de não-números ou elementos para facilitar o nosso raciocínio.
Intentemos agora um outro elemento ou número: vamos denominá-lo de zero. 0/0 = 1 pelo modelo, poderíamos inferir que
0/0 = 1 mas como? A matemática até hoje não trabalhou assim?
Então cabe pensar esse paradoxo proveniente do princípio da identidade. Vamos facilitar a visualização dessa frase matemática:
0 : 0 =1.
PARADOXO DO ZERO
A x B = C
se e somente se
C : B = A
chamaremos de A o primeiro elemento da multiplicação; chamaremos de B o segundo elemento da multiplicação; chamaremos de C o produto de A x B ou terceiro elemento da multiplicação; o segundo elemento B se soma na condição de A resultando C;
Exemplo:
A = 5
B = 6
C = ?
Aplicando a fórmula:
A x B = C
5 x 6 = 30
Para a não-contradição:
C : B = A
30 : 6 = 5.
Conclui-se que não há contradição.
Vamos agora para o número , elemento ou o conceito zero:
A = 1
B = 0
C = ?
Aplicando a fórmula:
1 x 0 = 0
porque B somado na condição A resulta zero e só seria verdade se
0 : 0 = 1.
No que se comprova no princípio da identidade que
0 : 0 = 1
Logo não havendo contradição e Kant respirando aliviado.
Mas para Kant sair da UTI, seria necessária uma revolução cabal na matemática. Estamos numa aporia entre Kant e a matemática. Justamente ambos que tinham um enlace quase que perfeito.
Salvando a matemática; Kant estaria errado?
Porque se 1 x 0 = 0 e todos concordam nesse ponto, só seria verdade se
0 : 0 = 1.
Vamos chamá-lo então de primeiro paradoxo?
E quanto ao princípio da identidade?
Salvar então a matemática?
Kant e o princípio da identidade esboroando-se?
Kant e o princípio da identidade certos e a matemática desmoronando como uma das torres gêmeas?
Optemos por salvar Kant então?
Todo filósofo sensato deveria fazê-lo?
Kant agora com a lógica não mais com a matemática?
Então a matemática sucumbiu e
0 : 0 =1
sendo verdade e não contradição
1 x 0 = 0 ?
São possíveis juízos sintéticos a priori na ciência, notadamente na matemática ?
À filosofia sempre couberam certos questionamentos acerca disso, isso e aquilo. Notadamente a partir dos seus problemas. Para respondê-los...só um filósofo poderá fazê-lo?
Mas Kant, lembra Goethe no seu estertor:
“Luz, mais luz!”
É o que os filósofos sensatos deveriam trazer.
Mas Kant agoniza no alvorecer desse século obscuro.
Todos os direitos para Wilson Luques Costa
SP/04/04/2003
Registro na Biblioteca Nacional.

princípio da identidade negativa

se a = a
então a - a = 0
então -a = -a

----- Original Message -----
From: Olavo de Carvalho
To: wilsonluques@ig.com.br
Sent: Saturday, April 05, 2003 7:58 PM
Subject: Re: Texto
Prezado amigo,
Acho os seus estudos interessantes e valiosos, mas, no meio da confusão em
que me encontro (v. artigo de hoje no Globo), não me aventuro a examiná-los
como merecem. Aguarde mais um tempo, OK?
Um abraço do
Olavo de Carvalho

Caro Wilson,
Embora os meus parcos conhecimentos de matemática não me permitam acompanhar inteiramente os seus argumentos, achei muito intrigantes e originais as suas ponderações sobre o princípio de identidade e o paradoxo do zero. Torço para que você aprofunde e torne cada vez mais claras as suas intuições.
Um grande abraço,
Antonio Cicero
A INTUIÇÃO E A SUA RELAÇÃO COM O SILOGISMO CLÁSSICO
Imaginemos que você está dirigindo um carro e de repente se depara com uma viela escura e numa fração de segundos a sua intuição o faz retornar e não seguir adiante. Esse seria um caso, a meu ver, de intuição. E suponha agora que aquele lugar era realmente perigoso. Pronto, a sua intuição o salvou. Nesse caso, julgo que a sua intuição não passou de um silogismo clássico que celeremente foi mediado pela sua mente. Pois vejamos para a primeira premissa: Todo lugar escuro é perigoso -- para a segunda premissa: Aqui é um lugar escuro, portanto aqui é um lugar perigoso.
28/08/2007
ESTUDOS PARTICULARES SOBRE A VONTADE DA CAUSA EFICIENTE

Não quero tomar aqui o sentido estrito de pragmatismo que via de regra é confundido com intencionalidades particulares de interesses, quando não de interesses de grupos também. Sendo verdade, portanto, aquilo que é útil, mas não no sentido geral – mas útil aos esotéricos pragmatistas com seus téloi políticos. Mas queria aqui raciocinar, e não saberia usar uma palavra para substituir a própria palavra pragmatismo, senão pragmatismo mesmo. Então vejamos: será que todo nosso escopo filosófico - e aqui estou falando tão somente da teoria do conhecimento - não teria de per si a vontade de conhecer com uma vontade prática? Uma colher serve para quê? Muitos dirão, talvez, que serve para tomar algum líquido, algum remédio, raspar o tacho de um arroz etc...Ou seja: teria numa relação de respostas numa certa hierarquia culminando até na sua total inutilidade. Mas por que respondemos que a colher serve para essas coisas? Resposta: porque provavelmente tivemos uma relação prática ou de utilidade com ela, como seres cognoscentes do objeto colher. Todavia, se também perguntarmos ao fazedor da colher sobre os téloi da colher, obteremos provavelmente quase que a mesma hierarquia de respostas – obviamente não como arroladas aqui – mas quase numa perfeita conjunção e intersecção entre sujeito, objeto e causa eficiente. Posto que a verdade, nesse sentido, está estabelecida pela sua primeiridade ou ousía primeira. De modo que ter relação de conhecimento com objetos em que a sua causa eficiente está aí para ratificar não seria de todo um problema quanto à obtenção de sua verdade. É mais óbvio ainda que poderíamos nos dispor a elucubrar sobre a colher naquilo que ela tem de especificidade e de sutilezas, sobre a sua forma etc. Mas estaríamos, não obstante ou apesar disso, negando a sua intenção de ser colher. Posto que se trata de uma causa final ou vontade da causa eficiente. Já problemas conceituais e metafísicos como Deus, alma, etc tornar-se-iam um pouco mais difíceis de se resolver. Portanto, dentre desse escopo e dessa lógica, tudo que há, há pela razão da causa suficiente. Mas qual seria a causa eficiente então de Deus? Nesse sentido teríamos, então, que dizer que o problema não só passa pelo sujeito cognoscente nem somente pelo objeto em si, mas pela vontade da causa eficiente de Deus, que nesse caso poderia ser Deus-mesmo e a sua vontade de ser causa, forma, matéria e fim de si mesmo. Posto que quando perguntamos por Deus, como seres cognoscentes, sabemos - mesmo que intuitivamente e seriam nesse sentido vários saberes distintos – por qual Deus perguntamos, senão não perguntaríamos sobre Deus. Ainda, nesse sentido, queremos explanar que o problema deixa de ser um problema dicotômico entre sujeito e objeto, podendo sem dúvida também estar presente em ambos, mas o objeto só terá a verdade em si, e o mesmo ocorrendo com o sujeito, quando tivermos o devido conhecimento da vontade de sua causa eficiente. Ou seja, para resumir, a verdade está na vontade da causa eficiente, podendo estar no objeto e no sujeito também. Já no caso do primeiro motor de Aristóteles, eu diria que a vontade se encerra em si mesma. Mas a pergunta ainda é: se todos tivéssemos um dia o pleno e verdadeiro conhecimento de Deus, será que nesse mesmo dia não O utilizaríamos para as nossas não menos particulares verdades? A verdade que queremos conhecer para melhor usá-la e dela nos atribuirmos? Se, ainda, porém, não temos a verdade primordial, assim vivendo vamos com as nossas particularidades de verdades. Sendo o nosso propósito uma segunda causa eficiente de uma primeira vontade ainda desconhecida. Mas não é por isso que eu chamaria isso de pragmatismo, mas de solução particular e momentânea de um problema, não menos ainda que particular. E sabendo-nos sabedores da verdade-primeira da causa eficiente, quem nos garantiria, também, que não a usaríamos em nossas particulares e secundárias intenções, só para o mero pretexto de nos ajudar a nos justificar em nossos particulares intentos?

WILSON LUQUES COSTA
Sem revisão final.
SÃO PAULO, 31 DE JULHO DE 2007.
HOMO PLURALIS
‘Logo... logo... estaremos ouvindo um jazz de Derrida ou um bolero de Ricoeur.´

Há muita discussão acerca da técnica – sobre os seus benefícios e malefícios. A filosofia contemporânea é testemunha disso. Se escrever é uma técnica, antes de ser um registro, ou - como querem alguns, uma expansão da memória, o certo é que o Homo pluralis (coetâneo dessas tão variadas formas de técnicas) caracterizou-se pelo pleno domínio das mesmas, querendo se apoderar ou esvaziar também outras formas de possibilidade. O Homo pluralis, de forma sumária, é o epítome desse domínio da técnica, a técnica como destruição exemplar (de apoderamento.) É impossível para o Homo pluralis o não domínio de quaisquer técnicas que sejam. E sob o Homo pluralis, subjaz uma outra categoria, que seria denominada de Homo pluralis artium. O Homo pluralis artium aponta os seus cinco sentidos, e, por que não dizer, o seu sexto sentido - porque está sempre à espreita – para a música, para a poesia, para a pintura e para toda forma de literatura. Onde possa emergir um pensamento, o Homo pluralis artium tenta lançar a sua canga. Não que isso fosse pernicioso em sua tentativa. É de pleno direito do Homo pluralis exercer o seu livre arbítrio. Mas o Homo pluralis, às vezes, ultrapassa os limites de sua capacidade. Porque quanto mais toca, mais pinta; porque quanto mais pinta, mais escreve; porque quanto mais escreve, mais se perde em seu livre arbítrio, tangenciando por vezes um livre arbítrio mais meticuloso. O Homo pluralis parece-se, por vezes, com um rei tântalo afoito, que se livrou das duras algemas dos tártaros, impostas por júpiter, o pai e o soberano dos deuses. Esse rei tântalo liberto e libertino, perdido, agora precisa devorar tudo que se lhe apresenta e o que não se lhe apresenta também. Não lhe apraz o acoitamento reflexivo de um Epimênides cretense. Não, ele quer mostrar as suas artes, os seus manejos: ars artibus tão somente. O Homo pluralis artium assemelha-se mais a um autonarciso, que confunde e se confunde num lago poluído de escrituras e de suportes mal-acondicionados. O Homo pluralis contamina o jardim de adônis de Platão, plantando sementes em demasia. O Homo pluralis distorce o enunciado de amor fati de Nietzsche, ou não compreende deveras. Mas se é na minudência que encontraremos o nosso centro, forçoso será, pois, engendrar um Homo minimus? Será que na minudência que encontraremos o nosso centro, o nosso ponto arquimédico? Será mister, de vez, restabelecer esse velho embate: Homo pluralis versus Homo minimus? Antes de ser um neo-renascentista o Homo pluralis faz morrer toda tentativa de renascimento. Mais uma vez: o Homo pluralis antes confunde do que ilumina. Vivemos na verdade numa era trevas. São Paulo, 01/06/2005.
Eu defendo a idéia de que, ao contrário de Einstein, o tempo cede quanto mais o ´objeto´, e para o caso pode ser o homem ou qualquer outro objeto, se movimenta. E movimento pode ser interpretado como parado também. Porque no mundo pós-moderno é o tempo pós-moderno que cede, podendo haver a concomitância de ambos. Eu já escrevi isso nos blogs, já encaminhei e-mails para algumas pessoas, no fito de guardar essas minhas idéias. Não sei o que pode ocorrer no ´mundo subatômico´, mas no mundo que denominei de mundo pós-moderno, diferencio tempo universal (u), de tempo pós-moderno (h). Ou seja, o tempo universal seria uma paralela constante ao espaço (s), o tempo em função do objeto seria o cateto oposto, e o cateto adjacente seria o espaço (s), no qual o objeto se deslocaria ou não (necessariamente). E formando esse gráfico - tendo a hipotenusa como demarcadora do tempo - demonstro como o tempo cede na medida que se avança no espaço (s) -- e que se fosse possível o contrário, o tempo também deixaria de ceder.
PÉROLAS AOS PORCOS
A TEORIA DO SOL (X) - Se se considerar a elipse como um tipo de movimento dos planetas solares; e se entendermos os conceitos matemáticos para elipse, nos quais está contemplada a idéia de dois pontos focais; então precisaríamos admitir a idéia conceitual de sol (x). Esse sol (x) pode ser simplesmente uma demarcação conceitual, ou pode também pela experiência ser localizado em algum momento futuro ou não. A idéia, por ora, de sol (x) apenas vem com o intuito de blindar o conceito matemático, e - por conseguinte - teórico de elipse. Escrito por wilson luques costa às 11h09[(0) Comente] [envie esta mensagem] []
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06/12/2008
PÉROLAS AOS PORCOS
Eu tenho algumas teorias que pela minha não especialização não darão em nada, até que ´algum aventureiro lance mão´como dizia o nosso Chico Buarque de Holanda. E como eu não pretendo escrever nenhum livro sobre isso, e como também é final de ano, eu faço aqui algumas reconsiderações acerca de -- para ficarmos mais próximos do linguajar acadêmico. O outro motivo, é fazer um epítome, o qual possam todos compreender:
PARADOXO DO ZERO: aponto os problemas que se apresentam, quando trabalhamos com o zero, pois o zero é considerado também um número natural. O que fiz é uma platitude: a x b = c sse c : b = a. Percebam que se alocarem o zero dará problema. Problema para a aritmética, portanto problema para a chamada matemática, portanto, problema para o chamado Princípio da Identidade, pois perde o seu status de universalidade.
PRINCÍPIO DA IDENTIDADE NEGATIVA: advogo que se há um princípio da identidade, haverá também um princípio da identidade negativa, conceito esse primeiramente cunhado por mim. Como o princípio da identidade coloca-se simplesmente, podemos, também, portanto colocarmos o princípio da identidade negativa; ou derivarmos assim: se a = a então a - a = 0 portanto -a = -a.
TEMPO PÓS-MODERNO OU CLINÂMEN DO TEMPO UNIVERSAL: defendo a teoria e demonstro através de um triângulo retângulo que o tempo cede, à medida que ocorre um deslocamento real ou imaginário no espaço, tendendo ao ponto-limite no tempo. Portanto, a hipotenusa seria a representação desse tempo pós-moderno em relação ao tempo universal.
# Tenho as críticas que faço ao conceito de razão em Descartes, demonstrando logicamente o seu embaraço; tenho também a teoria sobre o nêutron. Aliás, tudo registrado aqui nesse blog, bem como nos seus devidos órgão competentes.
07/12/2008
Wednesday, September 06, 2006

Hoje, de manhã, no mosteiro de São Bento, assisti a uma palestra do professor emérito da USP Arthur Giannotti. Falou sobre o segundo Wittgenstein. Num primeiro momento, pensei que estaria o auditório superlotado. Ledo engano e bom engano. Mais os alunos e os professores, bem como alguns beneditinos. Fui um dos primeiros a chegar. Sentei lá e fiquei esperando a fala. Aliás a primeira a que assisto do professor. E gostei. É óbvio que numa palestra, você não pode estar interferindo. Então você vai ouvindo toda a amarração. Passa pela lógica, mas com o pouco cabedal que me resta deu para acompanhar. Algumas coisas achei meio atiradas ao léu. Mas achei que é mais para puxar o fio da meada. Se eu tivesse uma intmidade de boteco com o senhor e professor Giannotti, eu iria lhe colocar alguns parênteses. Sobretudo quando fez aquilo que ele chama e o Witt também de Bildung ou representação. Faz um paralelo com uma coisa nossa cotidiana do metrô, com as suas estações. Mas como foi oral, perdi-me e perdeu-se também. Mas julguei mais uma ponte desconexa. Mas no fim abriu para alguns questionamentos. Mas antes, havia falado da linguagem como jogo. Das regras. E foi aí que saquei uma simples pergunta, que no final lhe coloquei. Se todo jogo tem regras. E se bem entendi as regras de seu jogo ali, eu colocava a seguinte questão: Senhor Giannotti, se o universo é um jogo, e se jogamos com o universo, não seria possível nesse caso estabelecermos as regras do jogo, posto que não fomos nós que criamos esse jogo. Mais: se existe um jogo, e se jogo só é jogo se tem regras, quem nos daria as diretrizes e as mesmas regras desse jogo? Se existe um Deus dono desse jogo, então haveria que haver uma epifania desse Deus. Foi mais ou menos assim... Aliás, é muito muito mais complexa...Não foi bem assim também, foi mais sumarizada... Depois vim elucubrando mais no metrô e um garoto bisbilhotando as minhas anotações... Outra coisa: será que Deus quer que conheçamos as regras desse jogo? Mais: isso não colocaria a ciência numa impossiblidade como ciência ou numa outra impossiblidade ou contradição de métodos? Por quê? Porque se a ciência não conhecer as regras do jogo, o jogo não poderá ser jogado pela ciência. Porque, salta no escuro, esquece o seu método, para ir para o aleatório encontrar as regras arcanas do cosmos, como um saltimbanco perdido. E mais e mais... Giannotti respondeu-me muito educadamente sobre as várias linguagens do cosmos. Agradeci. Mas vim com muitos questionamentos acerca... Alías, quando iniciei a minha pergunta, falei-lhe que tinha uma dúvida comigo. E ele perguntou-me: só uma? E não é que ele estava correto? Claro que com as minhas quantidades de dúvidas... Será que Deus joga mesmo dados com o universo, e nós não fomos convidados? E sobre as várias linguagens... Poderiam ser um dia unificadas? Evidentemente que não falo de esperanto; melhor, falo de um esperanto cósmico, divino... E tenho dito...

Seguidores

Quem sou eu

Nascido na cidade de São Paulo em 15 de fevereiro de 1960. Formado em Jornalismo (UMC/1983). Professor titular do ensino médio da disciplina de filosofia. Pós-Graduado, em nível de Especialização, em Violência Doméstica contra Crianças e Adolescentes pelo Instituto de Psicologia (USP /2001). Entre os anos de 1999 a 2005, fez extensão universitária dos instrumentais de grego, latim e alemão, cursando também mestrado (sem concluir) em educação e filosofia. Autor de dois livros na literatura, do Ensaio Paradoxo do Zero (Fundação Biblioteca Nacional/2003) e do conceito filosófico O Princípio da Identidade Negativa. É verbete nos livros O Céu Aberto na Terra, Sobre Caminhantes, A vocação Nacional da UBE: 62 ANOS, Revista de arte e literatura Coyote.