COM A PERMISSÃO DE PALINHO VIDEIRA
´Todo o começo literário é sempre difícil e trabalhoso, por isso talvez, eu não tenha vastos conhecimentos sobre a literatura, meus livros preferidos, sempre foram os de história e os de filosofia e para relaxar, livros de teologia e de esoterismo ocultista, como por exemplo os manuscritos do mar morto e os apócrifos, os manuscritos de NaggiHammad, o evangelho de Judas e outros tantos textos do gnosticismo copta, como a Pistis Sofia, o livro da fiel sabedoria divina, os propósitos de minhas leituras são meras tentativas de se alcançar algo transcendente as normas acadêmicas vigentes, nunca fui um bom "problematizador" filosófico, sempre me fiz prisioneiro dos meus achismos e crenças pessoais, mas que não refletem qualquer ligação com as instituições de plantão, sejam milenares e ou, centenárias, sempre tive problemas com grandes romances, confesso, que me tornei leitor apenas de Machado, Augusto dos Anjos, e outros renegados, leio textos de jornalistas polêmicos, como o sr Olavo de Carvalho e Arnaldo Jabour, mas tenho grande apreço pelos trabalhos literários e filosóficos deste cara, o Wilson Luques Costa com os seus contos em dois livros legais; Contos de Arrabalde e Os granizos dos Deuses simplesmente paradoxais e surpreendentes, fora, suas teorias filosóficas arrebatadoras em direção contrária as da Academia, tão afirmadora dos Eurocentrismos e Americanismos, uma vivacidade muito expressiva e isto causa medo dele( o Wilson é Filósofo)...
Postado por Paulo Evaristo Videira de Lima às 15:39
quinta-feira, 8 de janeiro de 2009
Ontem, andei lendo trechos de Verdade Tropical de Caetano Veloso. É um livro muito gostoso de se ler. Através de suas memórias, Caetano passa praticamente pela cultura hodierna num arrazoado bastante peculiar. Não sei como Caetano compôs o livro, não sei se utilizou de pesquisa ou não; mas nos passa um pouco do ar de sua cultura. No livro, há um ídice onomástico bastante interessante. Ou Caetano é essa pluralidade de cultura, ou possui um fichamento bastante razoável em sua memória, o que não deixa de sofrer também panegíricos. Ele passa pela música, poesia, filosofia, Gil, Gal, Capinam, Zé Celso, Antonio Cicero -- fazendo um comentário auspicioso sobre o seu livro O mundo desde o fim -- que ontem retirei pela undécima vez da minha parca biblioteca para poder comprrendê-lo. Aliás, o livro está no meu twinguinho, e logo mais irei lê-lo de novo. Agora de manhã já li um pequeno trecho. Ontem li sobre a apócrise e tentei fazer algumas anotações. Como eu já havia dito antes aqui nesse blog: o livro faz uso de citações em grego, latim, alemão etc. Eu tenho muita dificuldade em entender aquele jogo apocrítico do AC -- eu tento sempre resumir, deixar a coisa intrincada no osso -- e penso que há um certo gioco sofismático. Não quero ter a pretensão de lhe fazer uma crítica gratuita, mas vou tentar demonstrar aqui nesse blog certas inconsistências -- sobretudo no que concerne à necessidade e universalidade explicitadas. Eu tenho cá para mim, que filosofia pode ser bem simples. Vou novamente postar aqui o que digo sobre O PARADOXO DO ZERO (TEXTO JÁ PUBLICADO ALGUMAS VEZES NESSE BLOG) -- e vocês irão compreender tal qual uma criança. Se puderem, leiam também O MUNDO DESDE O FIM e depois me digam. Aliás, eu quando encaminhei o texto ao Antonio Cicero, ele mui gentilmente respondeu-me que o achava intrigante e original -- todavia lhe pedi que fizesse uma crítica mais profunda, mas ele nem me respondeu. Mas eu não ligo não. Eu só estou citando por citar. No Brasil se presta um grande desserviço à filosofia, literatura em geral, quando se privilegia mais o agente do que a ação -- graças talvez ao narcisismo e/ou orgulho tosco das pessoas. Eu só sei que se você gosta de filosofia -- você não poderá olvidar o que digo sobre aquilo que denomino de O PARADOXO DO ZERO, porque poderá correr o risco de ser taxado de, digamos assim, não de extemporãneo; mas sim de obsoleto. E tenho dito!
De qualquer maneira, vão aí mais uma vez os meus agradecimentos aos que me responderam, incluisve o próprio Antonio Cicero que eu, mesmo assim, admiro. Joguemos, por favor, nossas máscaras fora!
PREZADO ANTONIO CICERO, Espero que tenha recebido o meu e-mail. Mas como nunca sabemos se o e-mail chegou ou não, encaminho-lhe algumas referências que guardo com muito carinho. Não me importam os posicionamentos políticos de cada um, mas sim no que toca a discussão filosófica. Sei que você é extremamente ocupado. Mas espero que os guarde para uma possível consideração. QUE VOCÊ TENHA UM MARAVILHOSO 2009.WILSON LUQUES COSTA
... Wilson, lembro-me de você, do seu inegável talento para a poesia e de sua(sic) especulações acerca de algum paradoxo lógico-matemático -- o que era exatamente, não me lembro mais... Terminei o mestrado na PUC, onde fomos colegas, no ano passado. Considero o Olavo e o Cicero dois pensadores sérios e criativos. Se eles acham o seu trabalho interessante, é porque algum valor deve ter...
Boa sorte! Abraço do Edson Gil Prezado amigo,
Tenho a maior apreciação pelos seus estudos, e gostaria de ajudá-lo no que fosse possível...
Um abraço do
Olavo de Carvalho
Caro Wilson, Embora os meus parcos conhecimentos de matemática não me permitam acompanhar inteiramente os seus argumentos, achei muito intrigantes e originais as suas ponderações sobre o princípio de identidade e o paradoxo do zero. Torço para que você aprofunde e torne cada vez mais claras as suas intuições. Um grande abraço,Antonio Cicero
Com a permissão do grande sábio Wilson Luques Costa. Nunca tive o menor respeito para com intelecuais. Na verdade sempre os desprezei. Minhas discussões com os USPianos que conheci, terminam sempre de maneira abrupta, onde volta e e meia eu os mando enfiar a arrogância deles no cu. Tudo o que eles tanto enaltecem em si próprios na verdade pertencem não a eles. Mas sim a Nietzsche, Kant, Karl... enfim, a pensadores do passado. Todos mortos.Não que eu não goste dos mortos. Pelo contrário.Por muito tempo, eu só conversei de verdade com eles...Os USPianos ainda não se deram conta de que o que eles tanto prezam, pode ser conseguido por um mané como eu pelo custo de 3,00$ de multa na biblioteca municipal de Sto. André. Ou na biblioteca Vegueiro. Cada uma com seu charme.E qual a minha surpresa, quando encontro alguém, com o mesmo desprezo pela universidade quanto eu. E ainda por cima, um filósofo.A mim, ele apresentou o que ele mesmo batizou (!!!) de Paradoxo do Zero. Um sistema lógico que não faz nada além de derrubar toda a matemática de Peano. Só isso.Na verdade, eu incluiria aí também entre os derrubados, Gödel, Russel, Poincaré, Cantor, os Bourbakis... e mais um sem número de matemáticos e lógicos que constroem axiomas e proposições considerando o zero.A quem interessar o pensamento de um livre pensador por excelência, visite o Jardim de Adônis. Não vão se arrepender.ruminado por raffa vedder às 11:31 AM----- Original Message -----
From: Olavo de Carvalho To: wilsonluques@ig.com.br Sent: Saturday, April 05, 2003 7:58 PMSubject: Re: Texto
Prezado amigo,
Acho os seus estudos interessantes e valiosos, mas, no meio da confusão emque me encontro (v. artigo de hoje no Globo), não me aventuro a examiná-loscomo merecem. Aguarde mais um tempo, OK?
Um abraço do Olavo de Carvalho
From: "Olavo de Carvalho" To: "Wilson Luques Costa" Subject: Re: ensaioDate: Sun, 21 Sep 2003 04:48:26 -0300Prezado Wilson,...Você tem mesmo interesse em divulgar mais o seu trabalho? Posso transcrevê-lo na minha homepage, se você quiser....Não tive tempo de redigir os comentários que gostaria de fazer, mas acho que um bom resumo é o seguinte: Os princípios da dedução lógica, em si mesmos, só se aplicam ao domínio das essências puras, no sentido husserliano. Sua aplicação a qualquer domínio em particular (a qualquer "matéria", diria Aristóteles) requer o acréscimo dos princípios específicos desse domínio, com todas as precauções categoriais correspondentes. Ora, a quantidade é um domínio em particular, e portanto as regras da aritmética só equivalem indiretamente e imperfeitamente às da lógica geral. Daí os paradoxos que você tão certeiramente assinala.Um abraço do Olavo de Carvalho
De qualquer maneira, vão aí mais uma vez os meus agradecimentos aos que me responderam, incluisve o próprio Antonio Cicero que eu, mesmo assim, admiro. Joguemos, por favor, nossas máscaras fora!
PREZADO ANTONIO CICERO, Espero que tenha recebido o meu e-mail. Mas como nunca sabemos se o e-mail chegou ou não, encaminho-lhe algumas referências que guardo com muito carinho. Não me importam os posicionamentos políticos de cada um, mas sim no que toca a discussão filosófica. Sei que você é extremamente ocupado. Mas espero que os guarde para uma possível consideração. QUE VOCÊ TENHA UM MARAVILHOSO 2009.WILSON LUQUES COSTA
... Wilson, lembro-me de você, do seu inegável talento para a poesia e de sua(sic) especulações acerca de algum paradoxo lógico-matemático -- o que era exatamente, não me lembro mais... Terminei o mestrado na PUC, onde fomos colegas, no ano passado. Considero o Olavo e o Cicero dois pensadores sérios e criativos. Se eles acham o seu trabalho interessante, é porque algum valor deve ter...
Boa sorte! Abraço do Edson Gil Prezado amigo,
Tenho a maior apreciação pelos seus estudos, e gostaria de ajudá-lo no que fosse possível...
Um abraço do
Olavo de Carvalho
Caro Wilson, Embora os meus parcos conhecimentos de matemática não me permitam acompanhar inteiramente os seus argumentos, achei muito intrigantes e originais as suas ponderações sobre o princípio de identidade e o paradoxo do zero. Torço para que você aprofunde e torne cada vez mais claras as suas intuições. Um grande abraço,Antonio Cicero
Com a permissão do grande sábio Wilson Luques Costa. Nunca tive o menor respeito para com intelecuais. Na verdade sempre os desprezei. Minhas discussões com os USPianos que conheci, terminam sempre de maneira abrupta, onde volta e e meia eu os mando enfiar a arrogância deles no cu. Tudo o que eles tanto enaltecem em si próprios na verdade pertencem não a eles. Mas sim a Nietzsche, Kant, Karl... enfim, a pensadores do passado. Todos mortos.Não que eu não goste dos mortos. Pelo contrário.Por muito tempo, eu só conversei de verdade com eles...Os USPianos ainda não se deram conta de que o que eles tanto prezam, pode ser conseguido por um mané como eu pelo custo de 3,00$ de multa na biblioteca municipal de Sto. André. Ou na biblioteca Vegueiro. Cada uma com seu charme.E qual a minha surpresa, quando encontro alguém, com o mesmo desprezo pela universidade quanto eu. E ainda por cima, um filósofo.A mim, ele apresentou o que ele mesmo batizou (!!!) de Paradoxo do Zero. Um sistema lógico que não faz nada além de derrubar toda a matemática de Peano. Só isso.Na verdade, eu incluiria aí também entre os derrubados, Gödel, Russel, Poincaré, Cantor, os Bourbakis... e mais um sem número de matemáticos e lógicos que constroem axiomas e proposições considerando o zero.A quem interessar o pensamento de um livre pensador por excelência, visite o Jardim de Adônis. Não vão se arrepender.ruminado por raffa vedder às 11:31 AM----- Original Message -----
From: Olavo de Carvalho To: wilsonluques@ig.com.br Sent: Saturday, April 05, 2003 7:58 PMSubject: Re: Texto
Prezado amigo,
Acho os seus estudos interessantes e valiosos, mas, no meio da confusão emque me encontro (v. artigo de hoje no Globo), não me aventuro a examiná-loscomo merecem. Aguarde mais um tempo, OK?
Um abraço do Olavo de Carvalho
From: "Olavo de Carvalho" To: "Wilson Luques Costa" Subject: Re: ensaioDate: Sun, 21 Sep 2003 04:48:26 -0300Prezado Wilson,...Você tem mesmo interesse em divulgar mais o seu trabalho? Posso transcrevê-lo na minha homepage, se você quiser....Não tive tempo de redigir os comentários que gostaria de fazer, mas acho que um bom resumo é o seguinte: Os princípios da dedução lógica, em si mesmos, só se aplicam ao domínio das essências puras, no sentido husserliano. Sua aplicação a qualquer domínio em particular (a qualquer "matéria", diria Aristóteles) requer o acréscimo dos princípios específicos desse domínio, com todas as precauções categoriais correspondentes. Ora, a quantidade é um domínio em particular, e portanto as regras da aritmética só equivalem indiretamente e imperfeitamente às da lógica geral. Daí os paradoxos que você tão certeiramente assinala.Um abraço do Olavo de Carvalho
ESSA SERIA UMA MINUTA DE APOIO PARA A PALESTRA PROFERIDA EM 17.04.2004, NO UNICENTRO BELAS ARTES. MAS CREIO QUE O QUE EU DISSE PASSOU MAIS UMA VEZ DESPERCEBIDO.
Para iniciarmos, cabe uma pergunta, sem a qual e sem uma resposta, nada será possível: O que é o Paradoxo do Zero? Começo afirmando que o Paradoxo do Zero é um conceito (Begriff) filosófico, que demonstra a possível contradição que se estabelece, quando da aplicação da seguinte fórmula, tendo o número zero como agente e paciente na operação: A X B = C se e somente se C : B = A Antes de tudo, é preciso explicar que tal fórmula foi devidamente derivada. Entretanto, gostaria de estar apresentando essas derivações, num outro possível registro. Aí sim, poderei demonstrar passo a passo. É forçoso afirmar ainda que a palavra na sua acepção grega (paradoxo) significa inesperado. Isso nos possibilita, de uma certa maneira, evitar os tropeços nos áridos e íngremes campos dos conceitos. Então temos em mente que paradoxo é o inesperado. Então poderemos, a partir de agora, dizer: Paradoxo do Zero e/ou Inesperado do Zero. Claro está que se tomarmos o significado de Paradoxo como Inesperado, nada disso evitará que encontremos contradições no caminho. Depois da conclusão deste pequeno registro, cada qual poderá aceitar o que melhor lhe aprouver:
1 - Inesperado; 2 - Raro; 3 - Chamativo; 4- Incrível; 5 - Etc O que não deixará de ser também cabível. Como não tenho aspiração a colocar verdades inamovíveis, preferi paradoxo à aporia, outra palavra oriunda do grego aporia, que pode significar: Dificuldade; Problema; Situação sem saída; Apuro; Dificuldade insolúvel; Problema de onde não se pode sair; Confrontação sem solução de duas opiniões contrárias. De modo que o tempo, e só o tempo, poderá determinar se se trata de um paradoxo ou de uma aporia ou outra coisa. Então poderíamos também chamar assim: O Embaraço do Zero e/ou O Inesperado do Zero. Como me apraz a sonoridade poética, fico, momentaneamente, com O Paradoxo do Zero. O Paradoxo do Zero insere-se no campo da Filosofia, chamado de Teoria do Conhecimento. A Teoria do Conhecimento é, na maioria das vezes, definida como a investigação acerca das condições do conhecimento verdadeiro. Eis aqui uma das inúmeras definições: 'Teoria do Conhecimento é a reflexão filosófica com o objetivo de investigar as origens, as possibilidades, os fundamentos, a extensão e o valor do conhecimento". Pode ser chamada de Gnosiologia, Epistemologia e Crítica do Conhecimento. Sendo as duas primeiras de origem grega também. Agora vamos ao objeto de nossos estudos: O que, na realidade, quer demonstrar o Paradoxo do Zero? Resposta: São muitos os campos e as implicações; e um dos mais fundamentais é o que se chama de Juízos Sintéticos a priori de Kant. Tudo isso, por afirmar que se tratam de juízos universais e necessários. Ora, se aplicarmos diretamente a fórmula para a operação com o zero, notaremos que a necessidade cede; percebam que necessidade vem do latim: necessarius - que não pode ser cedido; ou num dos conceitos lógicos: não-contradição. No Paradoxo do Zero, fazemos uma leitura de necessário, mais como não-contradição em Kant. Do exposto até aqui, poderemos concluir que a fórmula do Paradoxo do Zero, na certa, estabelece uma das várias contradições na aritmética. A não ser que uma fórmula matemática não seja considerada uma fórmula matemática; mas como, se quando aplicada a alguns números naturais a necessidade não cede? Estaríamos, então nesse caso, numa outra aporia? Então nesse caso seria mais necessário recorrermos à filosofia da linguagem. Que os especialistas me desculpem, mas não digam que eu não pensei uma saída! Como diz um velho brocardo latino: Intelligenti pauca et Gloria victis. Ninguém mandou eu entrar nessa! Mas não se trata, de minha parte, de mais um Casus belli!
Para iniciarmos, cabe uma pergunta, sem a qual e sem uma resposta, nada será possível: O que é o Paradoxo do Zero? Começo afirmando que o Paradoxo do Zero é um conceito (Begriff) filosófico, que demonstra a possível contradição que se estabelece, quando da aplicação da seguinte fórmula, tendo o número zero como agente e paciente na operação: A X B = C se e somente se C : B = A Antes de tudo, é preciso explicar que tal fórmula foi devidamente derivada. Entretanto, gostaria de estar apresentando essas derivações, num outro possível registro. Aí sim, poderei demonstrar passo a passo. É forçoso afirmar ainda que a palavra na sua acepção grega (paradoxo) significa inesperado. Isso nos possibilita, de uma certa maneira, evitar os tropeços nos áridos e íngremes campos dos conceitos. Então temos em mente que paradoxo é o inesperado. Então poderemos, a partir de agora, dizer: Paradoxo do Zero e/ou Inesperado do Zero. Claro está que se tomarmos o significado de Paradoxo como Inesperado, nada disso evitará que encontremos contradições no caminho. Depois da conclusão deste pequeno registro, cada qual poderá aceitar o que melhor lhe aprouver:
1 - Inesperado; 2 - Raro; 3 - Chamativo; 4- Incrível; 5 - Etc O que não deixará de ser também cabível. Como não tenho aspiração a colocar verdades inamovíveis, preferi paradoxo à aporia, outra palavra oriunda do grego aporia, que pode significar: Dificuldade; Problema; Situação sem saída; Apuro; Dificuldade insolúvel; Problema de onde não se pode sair; Confrontação sem solução de duas opiniões contrárias. De modo que o tempo, e só o tempo, poderá determinar se se trata de um paradoxo ou de uma aporia ou outra coisa. Então poderíamos também chamar assim: O Embaraço do Zero e/ou O Inesperado do Zero. Como me apraz a sonoridade poética, fico, momentaneamente, com O Paradoxo do Zero. O Paradoxo do Zero insere-se no campo da Filosofia, chamado de Teoria do Conhecimento. A Teoria do Conhecimento é, na maioria das vezes, definida como a investigação acerca das condições do conhecimento verdadeiro. Eis aqui uma das inúmeras definições: 'Teoria do Conhecimento é a reflexão filosófica com o objetivo de investigar as origens, as possibilidades, os fundamentos, a extensão e o valor do conhecimento". Pode ser chamada de Gnosiologia, Epistemologia e Crítica do Conhecimento. Sendo as duas primeiras de origem grega também. Agora vamos ao objeto de nossos estudos: O que, na realidade, quer demonstrar o Paradoxo do Zero? Resposta: São muitos os campos e as implicações; e um dos mais fundamentais é o que se chama de Juízos Sintéticos a priori de Kant. Tudo isso, por afirmar que se tratam de juízos universais e necessários. Ora, se aplicarmos diretamente a fórmula para a operação com o zero, notaremos que a necessidade cede; percebam que necessidade vem do latim: necessarius - que não pode ser cedido; ou num dos conceitos lógicos: não-contradição. No Paradoxo do Zero, fazemos uma leitura de necessário, mais como não-contradição em Kant. Do exposto até aqui, poderemos concluir que a fórmula do Paradoxo do Zero, na certa, estabelece uma das várias contradições na aritmética. A não ser que uma fórmula matemática não seja considerada uma fórmula matemática; mas como, se quando aplicada a alguns números naturais a necessidade não cede? Estaríamos, então nesse caso, numa outra aporia? Então nesse caso seria mais necessário recorrermos à filosofia da linguagem. Que os especialistas me desculpem, mas não digam que eu não pensei uma saída! Como diz um velho brocardo latino: Intelligenti pauca et Gloria victis. Ninguém mandou eu entrar nessa! Mas não se trata, de minha parte, de mais um Casus belli!
Poema lido numa sala de aula de mestrado em língua portuguesa na puc-sp em 2001 - a pedido do professor e do colega Ponte.
gosto da palavra
sopesada.
gosto da palavra
magra, desnatada.
gosto da palavra
dândi, emasculada.
gosto da palavra
doida, estabanada.
gosto da palavra
livre, avoada.
gosto da palavra
nua, desnudada.
gosto da palavra
ausente, não encontrada.
mas o que eu mais gosto
é da palavra que se diz:
palavra-frase;
palavra-poema;
palavra-estampada;
palavra que se apresenta,
que solta seus grilhões,
suas peias,
suas algemas...
gosto da palavra
sopesada.
gosto da palavra
magra, desnatada.
gosto da palavra
dândi, emasculada.
gosto da palavra
doida, estabanada.
gosto da palavra
livre, avoada.
gosto da palavra
nua, desnudada.
gosto da palavra
ausente, não encontrada.
mas o que eu mais gosto
é da palavra que se diz:
palavra-frase;
palavra-poema;
palavra-estampada;
palavra que se apresenta,
que solta seus grilhões,
suas peias,
suas algemas...
sábado, 3 de janeiro de 2009
Yundurá
Yundurá acordou.Não lavou o rosto. Não fez a barba. Não escovou os dentes. Não usou papel higiênico. Não usou sabonete. Não comeu torradas. Não tomou café com leite. Não se despediu da mulher. Não pegou o primeiro ônibus. Não desceu no terceiro ponto. Não chegou atrasado. Não brigou com o patrão. Não bateu o cartão. Não almoçou pão com queijo. Não telefonou. Não bipou. Não deletou. Não entrou numa loja. Não ouviu música. Não comprou mortadela. Não pediu pra fatiar. Não comprou um livro. Não folheou uma revista. Não mexeu com a secretária. Não enviou um fax nem mesmo um e-mail. Não brigou com a mulher. Não repreendeu os filhos. Não bateu o carro. Não escreveu um livro. Não subornou o companheiro. Não jogou lixo na rua. Não brigou no trânsito. Não fez conchavos. Não abraçou o inimigo. Não entrou pra qualquer partido. Não entende de música clássica nem popular ou mesmo sacra. Não votou pra presidente. Não votou pra senador. Desconhece obra-prima. Não tem uma prima chamada Regina, muito menos Madalena, Sílvia ou Isaurinha. Yundurá vive tranquilo em Trobriand - o paraíso perdido - e não quer ser encontrado.
Yundurá acordou.Não lavou o rosto. Não fez a barba. Não escovou os dentes. Não usou papel higiênico. Não usou sabonete. Não comeu torradas. Não tomou café com leite. Não se despediu da mulher. Não pegou o primeiro ônibus. Não desceu no terceiro ponto. Não chegou atrasado. Não brigou com o patrão. Não bateu o cartão. Não almoçou pão com queijo. Não telefonou. Não bipou. Não deletou. Não entrou numa loja. Não ouviu música. Não comprou mortadela. Não pediu pra fatiar. Não comprou um livro. Não folheou uma revista. Não mexeu com a secretária. Não enviou um fax nem mesmo um e-mail. Não brigou com a mulher. Não repreendeu os filhos. Não bateu o carro. Não escreveu um livro. Não subornou o companheiro. Não jogou lixo na rua. Não brigou no trânsito. Não fez conchavos. Não abraçou o inimigo. Não entrou pra qualquer partido. Não entende de música clássica nem popular ou mesmo sacra. Não votou pra presidente. Não votou pra senador. Desconhece obra-prima. Não tem uma prima chamada Regina, muito menos Madalena, Sílvia ou Isaurinha. Yundurá vive tranquilo em Trobriand - o paraíso perdido - e não quer ser encontrado.
Luz vermelha
-Calma, Felipão! Só vinte minutos...
-Eu amo o Corinthians!
-Por aqui! E não faça barulho!
Décimo andar, por favor! - Ao ascensorista.
-Que golaço do Mirandinha! Corinthians grande sempre altaneiro és no Brasil...
-Silêncio, Felipão!
-Poxa! Eu sou casado com a Maricota há trinta anos!
-Eu quero que se foda! É agora ou nunca!
-Timão! Timão! Timão!...
-E só sessenta e nove?
-Trinco e cinco dólares.
-Dá pra fazer uma couple?
-Não! Só single! Couple, eu cobro sessenta...
-Mas não tá caro, não?
-Então vai com a Luzinete que operou da apendicite!
-Não! Mas eu quero você, meu xuxuzinho!
-Magrão, vamo embora... a minha mulher me mata e...
-Felipão, vê se desliga a porra desse radinho!
-Vai fudê logo ou veio aqui só ensebá?
-Ela é sua amiga?
-É colega de trabalho... tá aqui há uns dois meses.
-Vamo embora, Magrão!
-Felipão, espera aí que eu já volto!
-Eu vou mudar de estação... aqui só dá interferência... já faz quinze minutos e o ...Magrão, aonde cê vai... espera eu também...
-Corre, filho da puta!
-Espera, Magrão!
-Vem, Felipão, Filho da puta!
-Eu amo o Corinthians! Espera que eu não te alcanço!
-Vem logo... é vinte paus, mas dá pra tomá umas ceva lá no China ...
-Não vai dizer que...?
-Porra, Felipão! Pára de fazer perguntas idiotas!
-Ela gemeu?
-Gemeu pra caralho, Felipão! Gemeu pra caralho!
-E a navalha você vai jogar aonde?
-Pára de fazer perguntas, seu idiota!
-Ela morreu, Magrão?
-Eu nem vi... só sei que eu bebi todo o sangue dela!
-Calma, Felipão! Só vinte minutos...
-Eu amo o Corinthians!
-Por aqui! E não faça barulho!
Décimo andar, por favor! - Ao ascensorista.
-Que golaço do Mirandinha! Corinthians grande sempre altaneiro és no Brasil...
-Silêncio, Felipão!
-Poxa! Eu sou casado com a Maricota há trinta anos!
-Eu quero que se foda! É agora ou nunca!
-Timão! Timão! Timão!...
-E só sessenta e nove?
-Trinco e cinco dólares.
-Dá pra fazer uma couple?
-Não! Só single! Couple, eu cobro sessenta...
-Mas não tá caro, não?
-Então vai com a Luzinete que operou da apendicite!
-Não! Mas eu quero você, meu xuxuzinho!
-Magrão, vamo embora... a minha mulher me mata e...
-Felipão, vê se desliga a porra desse radinho!
-Vai fudê logo ou veio aqui só ensebá?
-Ela é sua amiga?
-É colega de trabalho... tá aqui há uns dois meses.
-Vamo embora, Magrão!
-Felipão, espera aí que eu já volto!
-Eu vou mudar de estação... aqui só dá interferência... já faz quinze minutos e o ...Magrão, aonde cê vai... espera eu também...
-Corre, filho da puta!
-Espera, Magrão!
-Vem, Felipão, Filho da puta!
-Eu amo o Corinthians! Espera que eu não te alcanço!
-Vem logo... é vinte paus, mas dá pra tomá umas ceva lá no China ...
-Não vai dizer que...?
-Porra, Felipão! Pára de fazer perguntas idiotas!
-Ela gemeu?
-Gemeu pra caralho, Felipão! Gemeu pra caralho!
-E a navalha você vai jogar aonde?
-Pára de fazer perguntas, seu idiota!
-Ela morreu, Magrão?
-Eu nem vi... só sei que eu bebi todo o sangue dela!
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Seguidores
Quem sou eu
- Wilson Luques Costa
- Nascido na cidade de São Paulo em 15 de fevereiro de 1960. Formado em Jornalismo (UMC/1983). Professor titular do ensino médio da disciplina de filosofia. Pós-Graduado, em nível de Especialização, em Violência Doméstica contra Crianças e Adolescentes pelo Instituto de Psicologia (USP /2001). Entre os anos de 1999 a 2005, fez extensão universitária dos instrumentais de grego, latim e alemão, cursando também mestrado (sem concluir) em educação e filosofia. Autor de dois livros na literatura, do Ensaio Paradoxo do Zero (Fundação Biblioteca Nacional/2003) e do conceito filosófico O Princípio da Identidade Negativa. É verbete nos livros O Céu Aberto na Terra, Sobre Caminhantes, A vocação Nacional da UBE: 62 ANOS, Revista de arte e literatura Coyote.