Luta Sindical
Obviamente que Arthur queria os 45% de aumento propostos pela categoria. Suava um suor torrencial. Carcomido pela faina diária, dormitava vez ou outra ao volante. Pensava também em Isaura - mulata faceira - que àquela hora dormia com Onofre - seu velho parceiro de snooker de Niterói
sábado, 3 de janeiro de 2009
Friday, November 17, 2006
Amor à primeira vista
- É a primeira vez que você vem aqui?- Não! Eu já vim outras vezes!- Quantos anos você tem?- Vinte e um!- Você dança bem! Você toma uísque?- Não! Prefiro caipirinha!- Até que eu gosto de gafieira....- Vamos parar um pouco...- ................- ................- Sabe que eu nunca tinha saído com uma virgem?- Verdade?- Foi muito bom!- Eu também achei!- São cinco horas da manhã! Nossa! Como o tempo voa!- É!- Você não está com frio?- Não- Então me abraça!- ..............- Olá, Verinha! Continua lá no Gaúcho?- Não! Faz tempo que eu saí de lá!- Por quê?- Por causa da Dorinha.....- Então aquela maldita continua dando as cartas por lá?- É! Sabe como é o Jucão Metranca......- E o camaradinha aí, não segura as suas pontas, não?- Eu!?!!?!?- Não! Ele....- Eu!???.... Você não falou que era virgem?- Vai! me leva pra casa.....- Mas onde você mora,Verinha?- Não precisa ir até a porta, você me deixa na esquina...- É lá que você mora?- .........- Verinha, dá um abração no Gaúcho e nas meninas....- .........- Verinha, esse cara é tira não é?- ............- Verinha, por que você mentiu pra mim? Poxa! eu estava te amando tanto! Eu ia até te apresentar pros meus pais.......- ...........- Verinha, você jura que vai mudar de vida?- ..............!?
Amor à primeira vista
- É a primeira vez que você vem aqui?- Não! Eu já vim outras vezes!- Quantos anos você tem?- Vinte e um!- Você dança bem! Você toma uísque?- Não! Prefiro caipirinha!- Até que eu gosto de gafieira....- Vamos parar um pouco...- ................- ................- Sabe que eu nunca tinha saído com uma virgem?- Verdade?- Foi muito bom!- Eu também achei!- São cinco horas da manhã! Nossa! Como o tempo voa!- É!- Você não está com frio?- Não- Então me abraça!- ..............- Olá, Verinha! Continua lá no Gaúcho?- Não! Faz tempo que eu saí de lá!- Por quê?- Por causa da Dorinha.....- Então aquela maldita continua dando as cartas por lá?- É! Sabe como é o Jucão Metranca......- E o camaradinha aí, não segura as suas pontas, não?- Eu!?!!?!?- Não! Ele....- Eu!???.... Você não falou que era virgem?- Vai! me leva pra casa.....- Mas onde você mora,Verinha?- Não precisa ir até a porta, você me deixa na esquina...- É lá que você mora?- .........- Verinha, dá um abração no Gaúcho e nas meninas....- .........- Verinha, esse cara é tira não é?- ............- Verinha, por que você mentiu pra mim? Poxa! eu estava te amando tanto! Eu ia até te apresentar pros meus pais.......- ...........- Verinha, você jura que vai mudar de vida?- ..............!?
Escanhoava o sotolábio e concomitantemente admirava-se no pequeno espelho quebrado. Queria estar bem arrumado. Ignorando os veículos que passavam a duzentos por hora, estava absorto em si mesmo, como se fosse um narciso. Fixava os olhos no espelho alternadamente. Ora o esquerdo ora o direito. As remelas ainda habitavam as suas pálpebras, denunciando que o sono ainda não se ausentara de todo. Estava ainda um pouco sonolento. Mirando-se no espelho, tentava recordar o sonho que tivera há pouco. Sentia os reflexos daquela imagem onírica que lhe fizera tão bem. Ajeitava o cabelo com as mãos, mas o carapinha não lhe obedecia. Mas não ligou... Continuou escanhoando o sotolábio. Divertia-se com a alternância de seu olhar no espelho. Os motoristas que passavam achavam-no exótico... Muitos tiravam as suas conclusões... De costas para o mundo, ele tentava recordar o nome da rainha, que era a sua esposa no sonho. O mundo tirava as suas conclusões, enquanto ele ainda escanhoava o sotolábio e aguardava a primeira esmola do dia.
# com pequenas alterações
# com pequenas alterações
O meu amigo indiscreto é um cara chato, falso, arrogante, só pensa em si, não quer dividir as coisas, pensa que sabe tudo, não dá a mínima para os outros, vive fechado no seu quarto, no seu mundinho, não tem sensibilidade com as pessoas, é mandão, orgulhoso, pensa que é a bola da vez, não caiu a sua ficha ainda, não tem humildade, às vezes é humilde demais, pensa que sabe tudo, mas não sabe porra nenhuma, é um chefete de merda esse meu amigo indiscreto... Esse meu amigo indiscreto não sou eu; és tu -- por isso te dou esse espelho de narciso.
sexta-feira, 2 de janeiro de 2009
OS LUNFARDOS
no princípio foi Noé com a sua navilouca
tivemos também Jones que quis salvar as Guianas
e mais: Danton, Napoleão, Hitler e Miss Braun - que também intentaram
mas não conseguiram...
fomos salvos e espoliados...
mas não...
não queremos ser mais salvos
pelos lunfardos...
desnudados
doravante
pelas ruas
gritaremos agora: fomos vencidos, mortos e espoliados...
mostraremos sim os nossos bolsos rasgados
vazios
e saqueados...
no princípio foi Noé com a sua navilouca
tivemos também Jones que quis salvar as Guianas
e mais: Danton, Napoleão, Hitler e Miss Braun - que também intentaram
mas não conseguiram...
fomos salvos e espoliados...
mas não...
não queremos ser mais salvos
pelos lunfardos...
desnudados
doravante
pelas ruas
gritaremos agora: fomos vencidos, mortos e espoliados...
mostraremos sim os nossos bolsos rasgados
vazios
e saqueados...
HERÁCLITO - O ESCRIVÃO
E lá se vão os gladiadores
com as suas valises na mão direita
vão levando muitas ações
muitas ações perniciosas
Há assaltos inimputáveis em Roma - digo -
São Paulo - digo - Rio de Janeiros - digo -
Brasília - digo - Salvador - digo -
DIGO: Não nos banhamos no mesmo rio,
não obstante chafudarmo-nos
na mesma pocilga...
DIGO
E lá se vão os gladiadores
com as suas valises na mão direita
vão levando muitas ações
muitas ações perniciosas
Há assaltos inimputáveis em Roma - digo -
São Paulo - digo - Rio de Janeiros - digo -
Brasília - digo - Salvador - digo -
DIGO: Não nos banhamos no mesmo rio,
não obstante chafudarmo-nos
na mesma pocilga...
DIGO
O PAI
cortou o sertão o arenoso sertão um saara
esquecido
mas fornido de pedras e lapidares nomes
onde ouviu um tímido baião ou um furtivo jazz
no largo da matriz
veio baldeando por minas espírito santo
rio ...
pensou em retornar à bahia ou seguir para cuiabá...
aqui falou óxente, vigi e também fincou raízes...
quando bebe um conhaque
pensa logo em voltar para a chapada diamantina
cortou o sertão o arenoso sertão um saara
esquecido
mas fornido de pedras e lapidares nomes
onde ouviu um tímido baião ou um furtivo jazz
no largo da matriz
veio baldeando por minas espírito santo
rio ...
pensou em retornar à bahia ou seguir para cuiabá...
aqui falou óxente, vigi e também fincou raízes...
quando bebe um conhaque
pensa logo em voltar para a chapada diamantina
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Quem sou eu
- Wilson Luques Costa
- Nascido na cidade de São Paulo em 15 de fevereiro de 1960. Formado em Jornalismo (UMC/1983). Professor titular do ensino médio da disciplina de filosofia. Pós-Graduado, em nível de Especialização, em Violência Doméstica contra Crianças e Adolescentes pelo Instituto de Psicologia (USP /2001). Entre os anos de 1999 a 2005, fez extensão universitária dos instrumentais de grego, latim e alemão, cursando também mestrado (sem concluir) em educação e filosofia. Autor de dois livros na literatura, do Ensaio Paradoxo do Zero (Fundação Biblioteca Nacional/2003) e do conceito filosófico O Princípio da Identidade Negativa. É verbete nos livros O Céu Aberto na Terra, Sobre Caminhantes, A vocação Nacional da UBE: 62 ANOS, Revista de arte e literatura Coyote.